Série: Oportunidades de Exportação para Países Europeus para as PMEs Brasileiras
Em um cenário em que a internacionalização de empresas brasileiras é cada vez mais decisiva para a competitividade, a Europa se consolida como destino estratégico. Cada país oferece oportunidades específicas — seja pela demanda por alimentos e commodities, seja pela busca por inovação, tecnologia e sustentabilidade. Por isso, damos início a uma série especial sobre oportunidades de exportação para países europeus, apresentando dados, tendências e análises práticas para que PMEs brasileiras possam planejar sua entrada nesses mercados. O primeiro foco é o Reino Unido, uma das economias mais globalizadas do mundo e altamente dependente de importações.
Comércio Brasil–Reino Unido: espaço para crescer
Apesar da relevância das duas economias, o comércio bilateral segue em patamares modestos: US$ 6,2 bilhões em 2024. O Brasil aparece apenas como o 27º fornecedor do mercado britânico, com participação de 0,5% nas importações. Isso revela o grande potencial de expansão, especialmente em nichos nos quais o país já tem competitividade consolidada, como soja (liderança com 60,6% de market share) e café verde (36,0%).
Setores em destaque para exportadores brasileiros
O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 392 oportunidades de exportação para o Reino Unido, distribuídas em setores de alto valor agregado e alinhados às demandas do consumidor britânico. Entre eles:

(Oportunidades de Exportação: Reino Unido – APEX 2025)
- Máquinas e equipamentos de transporte: aviões, autopeças e motores.
- Produtos alimentícios: carne bovina, preparações alimentícias, derivados de soja e frutas.
- Produtos químicos: medicamentos, etanol e antissoros.
- Bens de consumo e manufaturados: móveis, calçados, rochas ornamentais.
- Economia criativa: jogos eletrônicos, audiovisual, música e moda de valor agregado.
Além dos tradicionais campeões do agro, cresce o espaço para bens industriais e químicos orgânicos, como álcoois e fenóis, que já mostram taxas de expansão acima de 50% ao ano.
Fatores regulatórios e de sustentabilidade
A entrada no mercado britânico exige atenção às novas legislações de sustentabilidade. A UK Forest Risk Commodity Regulation (UKFRC), em vigor desde 2025, exige que importadores comprovem cadeias de suprimento livres de desmatamento para produtos como soja, carne e café.
Já o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), previsto para 2027, impactará setores intensivos em carbono como aço, alumínio e fertilizantes.
Para exportadores brasileiros, isso significa investir em certificações ambientais, rastreabilidade e inovação em processos produtivos, transformando exigências em diferenciais competitivos.
Concorrência e acordos comerciais
O Reino Unido mantém acordos comerciais com 73 países, mas Brasil não está entre eles. Isso confere desvantagem tarifária frente a competidores como União Europeia, Canadá e países do CPTPP. Além disso, produtos agrícolas dos EUA entram com preferências, competindo diretamente com soja e carnes brasileiras.
Nesse contexto, estratégias de posicionamento de marca, diferenciação e nicho de mercado tornam-se essenciais para compensar as barreiras comerciais.

(Oportunidades de Exportação: Reino Unido – APEX 2025)
Oportunidades de investimento cruzado
Além das exportações, há espaço para internacionalização de empresas brasileiras via investimento direto. O estoque de capital britânico no Brasil alcançou US$ 61,3 bilhões em 2023, colocando o Reino Unido como quinto maior investidor estrangeiro. Por outro lado, empresas brasileiras também ampliam presença no Reino Unido, com casos de sucesso como Granado, Randon e Tramontina. Esses movimentos reforçam a complementaridade das duas economias.
Como as PMEs brasileiras podem se preparar
Para aproveitar o potencial britânico, recomenda-se que empresas brasileiras invistam em três frentes principais:
Estratégia de valor agregado: migrar de commodities para produtos processados e diferenciados, elevando margens e reduzindo vulnerabilidade competitiva.
Inteligência de mercado: mapear nichos específicos de consumo e compreender as cadeias de valor britânicas.
Adequação regulatória: buscar certificações (sustentabilidade, qualidade, segurança alimentar) e parceiros locais para facilitar o compliance.
Conclusão
O Reino Unido, embora já consolidado como potência global, continua dependente de importações e apresenta espaço para novos fornecedores. Para o Brasil, o desafio é transformar presença limitada em protagonismo, aproveitando setores com alta demanda e construindo cadeias sustentáveis e inovadoras.
Se sua empresa deseja avaliar o potencial de entrada no mercado britânico, entre em contato para agendar um diagnóstico e saber quais os próximos passos para sua empresa começar a exportar.